Acusado de extorquir seis empresários, ameaçando publicar supostas denúncias sobre eles em seu site intitulado Pura Política, o blogueiro João Andrade Neto foi preso, ontem à tarde, na operação da Polícia Civil batizada de Fúria. Entre as vítimas do blogueiro estão o construtor Carlos Suarez, o geólogo João Carlos Cavalcanti e o advogado Francisco Bastos.

Seis empresários, ameaçando publicar supostas denúncias no site Pura Política, o blogueiro João Andrade Neto foi preso, ontem à tarde, na operação da Polícia Civil batizada de Fúria. Entre as vítimas estão o construtor Carlos Suarez, o geólogo João Carlos Cavalcanti e o advogado Francisco Bastos.
João Andrade Neto foi preso na sala número 210, do Edifício Lena Empresarial, na Avenida Magalhães Neto, onde funciona a sede do seu site. Policiais civis da Coordenadoria de Operações Especiais (COE) detiveram o empresário por volta das 13 horas, em cumprimento a um mandado de prisão temporária decretada pelo juiz Edmundo Lúcio da Cruz, titular da 9ª Vara Crime.
Pelo menos 12 computadores e grande quantidade de documentos foram apreendidos na sede da empresa, em cumprimento a mandados de busca e apreensão determinados pela Justiça. Neto já vinha sendo investigado há cerca de dois meses, depois que um empresário do setor de educação denunciou à polícia que estava sendo vítima de extorsão. O empresário contou que Neto estava cobrando R$30mil para não publicar denúncias contra ele no blog Pura Política.
Orientado pela polícia, avítima pagou R$ 5 mil ao proprietário do site e acertou para pagar o restante posteriormente.
O empresário da área da educação passou a gravar conversas telefônicas e mensagens de texto via celular, onde Neto o extorquia. As provas feitas pela vítima foram usadas pela polícia para pedir à Justiça os mandados de prisão, busca e apreensão, além de escutas telefônicas e ambientais (da sala).
Os mandados de busca, as escutas e a prisão foram decretados segunda-feira.
Orientada pela polícia, a vítima marcou para pagar R$ 5 mil a Neto ontem. No local marcado para o pagamento da extorsão, uma sala no Aeroporto de Salvador, policiais da Superintendência de Inteligência da Secretaria da Segurança, colocaram escutas de áudio e microcâmeras para gravar o encontro, marcado para 11 horas de ontem.
Para pagar a extorsão, a polícia usou notas de dinheiro com numeração sequenciada e anotou os algarismos.
Neto não foi ao encontro e mandou um funcionário em seu lugar. As câmeras flagraram o pagamento dos R$ 5mil ao empregado. Em seguida, o funcionário fez pagamentos bancários com parte do dinheiro e retornou para a sede do Pura Política. Pouco depois das 13 horas, a polícia estourou as salas 403 e 210 do Lena Empresarial, onde prendeu Neto portando R$ 2.400 em notas do dinheiro marcado.
Dois PMs que faziam bico como segurança de Neto foram detidos e encaminhados para a Corregedoria da PM. Oito funcionários do Pura Política também foram levados para prestar depoimento, mas depois foram liberados.
Depois de revistarem as duas salas da sede, policiais conduziram Neto ao COE, no Aeroporto. Na chegada à unidade, o acusado disse que só falaria à Justiça: “O que eu tenho a dizer eu vou dizer à Justiça”. Quando perguntado se não queria se defender perante os colegas de imprensa, respondeu: “Não considero vocês meus colegas”. Os repórteres retrucaram com vaias e uma das jornalistas respondeu: “Graças a Deus”.
Durante entrevista concedida no final da tarde na Sede do COE, o secretário da Segurança Pública, César Nunes, disse que a investigação conseguiu reunir uma grande quantidade de provas contra Neto. Nunes acrescentou que, após a denúncia da primeira vítima, outros dois empresários extorquidos foram identificados. Esta semana, três empresários ingressaram com uma representação criminal contra Neto, pedindo instalação de inquérito policial por extorsão.
Ao todo, seis empresários denunciaram Neto à polícia.
César Nunes disse que existem vários indícios na investigação de que João Andrade Neto é apenas um testa de ferro de outra pessoa: “Nós vamos tentar identificar agora quem está por trás dele. A investigação vai descobrir quem efetivamente é o patrão dele”.
A delegada Gabriela Macedo, pertencente ao COE, que preside o inquérito policial contra Neto, disse que ele vai ser indiciado por extorsão, crime previsto no Artigo 158 do Código Penal Brasileiro (CPB).
Apesar da SSP não revelar os nomes dos empresários extorquidos, A TARDE apurou o nome de três vítimas.
Neto extorquiu R$ 50 mil do geólogo e empresário de mineração João Carlos Cavalcanti.
Já o empresário da construção civil Carlos Suarez e o advogado Francisco Bastos sofreram extorsão de R$ 1 milhão. Os três não chegaram a pagar os valores e denunciaram o golpe à polícia, que possui essas informações formalmente.
A TARDE tentou entrar em contato por telefone com as três vítimas, mas não conseguiu.
Já o advogado de Neto, Vinícius Dantas, disse que não podia dar nenhuma informação até ter conhecimento das acusações contra seu cliente. César Nunes disse que como João Neto não possui nível superior, ele vai ficar preso numa cela comum.
Fonte: A Tarde
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